Nascimento da espiritualidade e a superação da luta

Posted by guibarros on jun-30-2010
Pietro Ubaldi

Pietro Ubaldi - Veja esse olhar

Abordamos os 3 ciclos sociais descritos por Ubaldi e Sarkar. Falamos sobre a força com aplicação da inteligência voltada para o trabalho braçal e para a luta física e sobre a astúcia com a aplicação da inteligência voltada para o trabalho intelectual e luta psíquica.

Falaremos agora deste último ciclo social em que a inteligência é orientada não mais para a luta física ou psíquica, mas para a superação da luta pela colaboração. É notória a ascensão desta nova consciência, muito bem descrita por Paulo Roberto da Silva no livro “Consciência e Abundância” (Niterói-2006). Juntamos a ela numa mesma tabela as visões analítico racional e sintético intuitiva segundo Gilson Freire no livro “Arquitetura Cósmica”. Veja no quadro a seguir a união destas duas tabelas:

Na DekDu este novo ciclo social é especialmente importante porque tem absolutamente tudo a ver com Coletivo e uma rede social trata da interação entre indivíduos formando o que é coletivo. Para entender melhor a conexão entre Espiritulidade>DekDu>Coletivo>Economia reproduzo aqui minha resposta a um post de um de nossos franqueados mais ativos em nosssa comunidade do Orkut:

“Pablo, [...] Ainda vamos conversar muito sobre economia que é um tema fundamental para redes sociais. Porque economia é a forma de “pensar” do ser coletivo. Imagina que somos células…e essas células formam um tecido. As células fazem trocas entre si enviando sua produção a outras células e recebendo delas aquilo que elas produzem.

Este tecido passa a ter uma vida própria por conta desse ritmo, fluxo, forma, intensidade dessas trocas. É assim com o tecido social…a economia ditando ritmo, fluxo, forma, intensidade, tipos de trocas, entre outras coisas.

Por isso a economia é e será tão importante na DekDu. Uma economia concentradora de renda é como um tecido que não permite a chegada de oxigênio a algumas de suas células.

Todas precisam “respirar”.”

Que tipo de inteligência seria mais bem aparelhada para coordenar o que é coletivo? Para permitir que todas as células “respirem” e recebam oxigênio? Vamos agora tentar qualificá-la e assim esclarecer o que a palavra ESPIRITUALIDADE carrega de significado para nós na DekDu.

Não pretendo recorrer a definições acadêmicas, filosóficas e muito menos religiosas para o termo ou discutir o “sexo dos anjos”, mas apenas perceber a manifestação desta consciência como nova forma de proceder na relação consigo, com os outros e com o ambiente. Uma boa forma de perceber espiritualidade é observá-la como energia psíquica menos orientada para a luta e mais para a colaboração.

O interessante é que o desgaste de energia neste tipo biológico é mínimo. Ele entende de construções permanentes e se interessa especialmente por aquelas intangíveis (valores morais se preferir) realizadas dentro de si mesmo. Sua felicidade está muito menos sujeita às condições exteriores pois aprendeu a satisfazer-se com a “posse do necessário e a paz de consciência”. Embora não procure riqueza, poder ou notoriedade, tudo isso parece buscá-lo no momento adequado e ele as direciona sempre para realizações coletivas sem a sanha individual de vitória sobre os outros mas sim COM os outros.

Se é fato que do cansaço da força surgiu a astúcia agora percebemos que do cansaço da astúcia surge a ESPIRITUALIDADE no ser. Assim como a astúcia dos políticos, diplomatas, generais e “poderosos” do mundo soube conduzir a força para seus próprios fins (dominação psíquica e econômica), a espiritualidade nascente da nova consciência saberá comandar a astúcia destes para seus “próprios” fins que são os fins de fazer parte de um tecido saudável onde todas as células usufruem do necessário a uma vida plena e feliz.

E assim, ampliamos pouco a pouco, a partir de nosso ego, nossa consciência em direção a um espaço de progressiva coletividade e unidade conforme nos ensina Sarkar neste belo gráfico neohumanista:

Indico muito estes dois livros para os caros amigos:
Arquitetura Cósmica e Consciência e Abundância

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A análise da astúcia merece um pouco mais de detalhes por ser o tipo biológico predominante ou o ciclo social atual. A astúcia surgiu da vantagem biológica de superar-se o império da força bruta. Com o passar do tempo e amadurecimento da humanidade, um grupo de indivíduos capazes de dominar elementos mais sutis de seu meio passaram progressivamente a obter poder subjugando mais e mais a brutalidade crua.

Assim, não mais o guerreiro comandava mas agora ele era comandado por generais, políticos, religiosos (vipra Sarkar) representando a força intelectual orientada para a luta psíquica e não somente física.

Mas podemos de fato perceber que no reino da astúcia, se a inteligência estratégica dos intelectuais das mais diversas áreas passou a dominar, em uma área específica eles se destacaram há alguns séculos e hoje um tipo específico de astuto está no topo da cadeia de domínio: o mercantilista (vaeshya Sarkar). Não é por acaso que das 100 maiores economias do mundo, 51 são empresas. Eles souberam organizar o capital, o comércio, a moeda, as bolsas, as finanças…enfim, tudo que hoje coloca a quase todos sob inteiro domínio de um grupo relativamente pequeno de pessoas. Na verdade, se poderia reunir em uma festa para talvez umas 500 pessoas, quase 80% da riqueza privada do planeta. Basta saber que a fortuna pessoal dos 3 homens mais ricos é superior ao PIB dos 43 países mais pobres e que apenas 358 das pessoas mais ricas detém uma fortuna conjunta (~US$1 trilhão) equivalente à riqueza disponível para 2,7 bilhões dos mais pobres.

Pode-se perceber essa energia psíquica da astúcia em praticamente toda a humanidade. Ela é tão largamente presente que é a forma ‘natural’ de ser. Chamamos instinto de preservação a arte de cuidar de nós em primeiro lugar, de nossa família, de nossa cidade, nação e assim por diante. Quanto menos adiantado o astuto, menor é seu círculo de interesse e mais profundo seu amor apenas por si mesmo (egoísmo). Ele busca a felicidade não somente em prazeres mais físicos como o bruto mas já é capaz de refinar seus desejos e se interessar pela arte, pelo belo, e encontra alguma satisfação em tornar-se mais culto tendo necessidade de status e reconhecimento social para sentir-se pleno e feliz. É muitas vezes o indivíduo que dedica-se às atividades caritativas e busca realizar mudanças positivas em seu meio mas sempre dando do que lhe sobra, jamais do que lhe é necessário.

O desgaste de energia neste tipo biológico é mais psíquico que físico. Ele entende de construções transitórias mas pouco ainda edifica dentro de si mesmo. Sua felicidade ainda está sujeita às condições exteriores e ele ainda a busca nas experiências sensoriais sedento de encontrar tranqüilidade para as lutas que o mantém na posição de líder social. Não importa em qual campo tenha sido vitorioso, essa vitória parece estar sempre ameaçada pela luta de ascensão de outros astutos que lhe cercam como aves de rapina aguardando a morte de sua presa. Ele muitas vezes só conhece as aproximações por interesse e o prazer do amor e amizades sinceras muitas vezes lhe escapam entre os excessos da riqueza, dos prazeres, da fama, do poder.

Se é fato que do cansaço da força surgiu a astúcia agora devemos entender o que surge do cansaço da astúcia, e assim saberemos que tipo biológico terá ascensão no novo ciclo social. Mas primeiro devemos perceber os movimentos de queda de um ciclo e ascensão do outro que lhe dará seqüência. Sugerimos dois bons vídeos (Wakeup call e A História das Coisas) que mostram essa tendência estão em nossa área de vídeos. Agora podemos aferir que nasce um novo tipo biológico e uma qualidade particular que a ele podemos atribuir, não mais força ou astúcia para luta, mas uma energia nova para a colaboração. A essa energia chamamos de espiritualidade.