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A análise da astúcia merece um pouco mais de detalhes por ser o tipo biológico predominante ou o ciclo social atual. A astúcia surgiu da vantagem biológica de superar-se o império da força bruta. Com o passar do tempo e amadurecimento da humanidade, um grupo de indivíduos capazes de dominar elementos mais sutis de seu meio passaram progressivamente a obter poder subjugando mais e mais a brutalidade crua.

Assim, não mais o guerreiro comandava mas agora ele era comandado por generais, políticos, religiosos (vipra Sarkar) representando a força intelectual orientada para a luta psíquica e não somente física.

Mas podemos de fato perceber que no reino da astúcia, se a inteligência estratégica dos intelectuais das mais diversas áreas passou a dominar, em uma área específica eles se destacaram há alguns séculos e hoje um tipo específico de astuto está no topo da cadeia de domínio: o mercantilista (vaeshya Sarkar). Não é por acaso que das 100 maiores economias do mundo, 51 são empresas. Eles souberam organizar o capital, o comércio, a moeda, as bolsas, as finanças…enfim, tudo que hoje coloca a quase todos sob inteiro domínio de um grupo relativamente pequeno de pessoas. Na verdade, se poderia reunir em uma festa para talvez umas 500 pessoas, quase 80% da riqueza privada do planeta. Basta saber que a fortuna pessoal dos 3 homens mais ricos é superior ao PIB dos 43 países mais pobres e que apenas 358 das pessoas mais ricas detém uma fortuna conjunta (~US$1 trilhão) equivalente à riqueza disponível para 2,7 bilhões dos mais pobres.

Pode-se perceber essa energia psíquica da astúcia em praticamente toda a humanidade. Ela é tão largamente presente que é a forma ‘natural’ de ser. Chamamos instinto de preservação a arte de cuidar de nós em primeiro lugar, de nossa família, de nossa cidade, nação e assim por diante. Quanto menos adiantado o astuto, menor é seu círculo de interesse e mais profundo seu amor apenas por si mesmo (egoísmo). Ele busca a felicidade não somente em prazeres mais físicos como o bruto mas já é capaz de refinar seus desejos e se interessar pela arte, pelo belo, e encontra alguma satisfação em tornar-se mais culto tendo necessidade de status e reconhecimento social para sentir-se pleno e feliz. É muitas vezes o indivíduo que dedica-se às atividades caritativas e busca realizar mudanças positivas em seu meio mas sempre dando do que lhe sobra, jamais do que lhe é necessário.

O desgaste de energia neste tipo biológico é mais psíquico que físico. Ele entende de construções transitórias mas pouco ainda edifica dentro de si mesmo. Sua felicidade ainda está sujeita às condições exteriores e ele ainda a busca nas experiências sensoriais sedento de encontrar tranqüilidade para as lutas que o mantém na posição de líder social. Não importa em qual campo tenha sido vitorioso, essa vitória parece estar sempre ameaçada pela luta de ascensão de outros astutos que lhe cercam como aves de rapina aguardando a morte de sua presa. Ele muitas vezes só conhece as aproximações por interesse e o prazer do amor e amizades sinceras muitas vezes lhe escapam entre os excessos da riqueza, dos prazeres, da fama, do poder.

Se é fato que do cansaço da força surgiu a astúcia agora devemos entender o que surge do cansaço da astúcia, e assim saberemos que tipo biológico terá ascensão no novo ciclo social. Mas primeiro devemos perceber os movimentos de queda de um ciclo e ascensão do outro que lhe dará seqüência. Sugerimos dois bons vídeos (Wakeup call e A História das Coisas) que mostram essa tendência estão em nossa área de vídeos. Agora podemos aferir que nasce um novo tipo biológico e uma qualidade particular que a ele podemos atribuir, não mais força ou astúcia para luta, mas uma energia nova para a colaboração. A essa energia chamamos de espiritualidade.


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Vamos passar rapidinho pela análise da força. Aqui estamos falando de força física mesmo: brutalidade, coerção, violência, ameaça. É mostrar os dentes literalmente. Não podemos negar que a força é componente ainda muito presente nas relações sociais, sob diversas formas. Mas já muito pouco aceita em termos coletivos. Digamos que alguém pode ameaçá-lo para tomar sua carteira ou seu carro, mas dificilmente ele vai conseguir roubar-lhe uma promoção no trabalho agindo dessa forma.

Mas vamos voltar um pouco no tempo e compreender como ganhou espaço social esse tipo de manifestação da consciência. É que recém saída da animalidade, a agora chamada ‘humanidade’ percebia a si mesma em meio as suas necessidades de manutenção mais básicas (segurança, abrigo, alimento, fisiologia, sexo). Podemos assim dividir a força em duas formas para efeito didático (Sarkar): a que surgiu primeiro orientada para o trabalho e produção do necessário ao bem estar nas sociedades mais primitivas. E uma outra posterior que orientou a força para a agressividade, coerção, violência e ameaça. Notem que essa segunda já é mais ‘evoluída’ que a primeira já que percebe a possibilidade de obter vantagem de algo que antes era usado com muito mais inocência.

Imaginamos então aquela tribo primitiva reunindo homens macacos em torno de fogueiras, trabalhando e caçando juntos, até que um mais forte observa que pode tirar vantagens de sua estatura e vigor. Mas não como os animais o fazem, inconscientemente, não como os chefes de grupos de leões, hienas ou gorilas. Ele não é o macho alfa apenas por instinto. Já o é por uma ‘astúcia embrionária’. Ele conduz sua força para um objetivo específico de obter vantagens e sua força é coordenada por uma mente mais consciente. Ele produz as primeiras ferramentas orientadas para esse fim e as utiliza sem piedade.

Eis em resumo o modelo biológico da força. Atualmente percebemos essa energia no homem impositivo, intransigente, beligerante. Tudo ele transforma em guerra. Não na guerra psicológica mas na guerra brutalizada da agressão que não aceita diplomacia, diálogo e opinião. Quando não percebe vantagem imediata para si esse homem se lança logo à destruição pois a ele só interessa estejam de pé as estruturas que o favoreçam de alguma forma. Ele se interessa apenas pelo que de mais material há nas coisas. Vive sem muita atividade psicológica e o pouco que há de psiquismo em suas atividades é normalmente direcionado para prazeres mais materiais e normalmente em excesso (alimento, bebida, sexo, consumo).

O desgaste de energia neste tipo biológico e imenso. Ele literalmente entende de matar e morrer em seu frenesi existencial. Não sabe conservar-se. Nele a luta é mais material em todos os sentidos e isso o desgasta. É assim que com o tempo, aprendendo a conservar-se o homem abandona esse tipo biológico por lhe ser mais conveniente um outro. Foi então superada a fase da força por imperativo de conservação e vantagem biológica existencial. Conservar energia e realizar mais com menos esforço utilizando agora a força do bruto a seu favor e não mais contrapor-se a ela em luta física e material.

Para nós, na DekDu, importa muito mais saber sobre o ciclo social seguinte ao da força. Que tipo de homem soube superar o forte e comandá-lo? Isso porque estamos no limiar de uma nova transição e é fundamental para nós compreender que tipo biológico virá comandar o novo ciclo social que se anuncia.