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Vamos passar rapidinho pela análise da força. Aqui estamos falando de força física mesmo: brutalidade, coerção, violência, ameaça. É mostrar os dentes literalmente. Não podemos negar que a força é componente ainda muito presente nas relações sociais, sob diversas formas. Mas já muito pouco aceita em termos coletivos. Digamos que alguém pode ameaçá-lo para tomar sua carteira ou seu carro, mas dificilmente ele vai conseguir roubar-lhe uma promoção no trabalho agindo dessa forma.

Mas vamos voltar um pouco no tempo e compreender como ganhou espaço social esse tipo de manifestação da consciência. É que recém saída da animalidade, a agora chamada ‘humanidade’ percebia a si mesma em meio as suas necessidades de manutenção mais básicas (segurança, abrigo, alimento, fisiologia, sexo). Podemos assim dividir a força em duas formas para efeito didático (Sarkar): a que surgiu primeiro orientada para o trabalho e produção do necessário ao bem estar nas sociedades mais primitivas. E uma outra posterior que orientou a força para a agressividade, coerção, violência e ameaça. Notem que essa segunda já é mais ‘evoluída’ que a primeira já que percebe a possibilidade de obter vantagem de algo que antes era usado com muito mais inocência.

Imaginamos então aquela tribo primitiva reunindo homens macacos em torno de fogueiras, trabalhando e caçando juntos, até que um mais forte observa que pode tirar vantagens de sua estatura e vigor. Mas não como os animais o fazem, inconscientemente, não como os chefes de grupos de leões, hienas ou gorilas. Ele não é o macho alfa apenas por instinto. Já o é por uma ‘astúcia embrionária’. Ele conduz sua força para um objetivo específico de obter vantagens e sua força é coordenada por uma mente mais consciente. Ele produz as primeiras ferramentas orientadas para esse fim e as utiliza sem piedade.

Eis em resumo o modelo biológico da força. Atualmente percebemos essa energia no homem impositivo, intransigente, beligerante. Tudo ele transforma em guerra. Não na guerra psicológica mas na guerra brutalizada da agressão que não aceita diplomacia, diálogo e opinião. Quando não percebe vantagem imediata para si esse homem se lança logo à destruição pois a ele só interessa estejam de pé as estruturas que o favoreçam de alguma forma. Ele se interessa apenas pelo que de mais material há nas coisas. Vive sem muita atividade psicológica e o pouco que há de psiquismo em suas atividades é normalmente direcionado para prazeres mais materiais e normalmente em excesso (alimento, bebida, sexo, consumo).

O desgaste de energia neste tipo biológico e imenso. Ele literalmente entende de matar e morrer em seu frenesi existencial. Não sabe conservar-se. Nele a luta é mais material em todos os sentidos e isso o desgasta. É assim que com o tempo, aprendendo a conservar-se o homem abandona esse tipo biológico por lhe ser mais conveniente um outro. Foi então superada a fase da força por imperativo de conservação e vantagem biológica existencial. Conservar energia e realizar mais com menos esforço utilizando agora a força do bruto a seu favor e não mais contrapor-se a ela em luta física e material.

Para nós, na DekDu, importa muito mais saber sobre o ciclo social seguinte ao da força. Que tipo de homem soube superar o forte e comandá-lo? Isso porque estamos no limiar de uma nova transição e é fundamental para nós compreender que tipo biológico virá comandar o novo ciclo social que se anuncia.

Os ciclos sociais da força, astúcia e espiritualidade

Posted by guibarros on jun-14-2010

Como alguns de vocês já sabem ainda não chegou o momento de abordar a parte prática da DekDu nas minhas postagens… ainda vou chegar lá. É que as plataformas que desenvolvemos (social, comercial, projetos e edutenimento) e as ferramentas e aplicativos que farão parte dessas plataformas têm uma razão de existir e essa razão não é apenas o mercado. Elas formam uma estrutura para antecipar um futuro lógico e previsível. Para entender o que espera o homem no futuro é fundamental perceber no seu passado e presente a lógica e dinâmica de seu movimento evolutivo.

Nesse movimento evolutivo a psicologia humana é impulsionada da força à espiritualidade, passando pela astúcia. Dois filósofos modernos que estudei e tenho estudado ao longo destes anos me convenceram disso com sua argumentação lógica e profunda: Pietro Ubaldi (italiano) e P.R.Sarkar (indiano). Deixo dois links principais sobre cada um deles mas a vida destes dois não pode obviamente ser reduzida a uma única página para ser lida. Recomendo fortemente o estudo mas basicamente eles nos mostram uma mesma realidade.

A primeira manifestação do psiquismo consciente humano foi na direção da FORÇA. Pietro Ubaldi não faz distinção mas Sarkar a divide em duas: Shúdra (força para o trabalho) e Ksáttrya (força para a luta), ou seja, o trabalhador e o guerreiro.

O trabalhador utilizou sua consciência para realizar trabalhos manuais (caça, plantio, pesca, produção de ferramentas, fogo, etc.) e o guerreiro a utilizou para usurpar sem ter que desgastar-se com o trabalho.

A segunda manifestação dessa energia psíquica consciente foi na direção da ASTÚCIA. Mais uma vez Sarkar a divide em duas:  Vipra (intelectual) e Vaeshya (aquisidor ou mercantilista). É que o uso da força bruta imprime sacrifícios significativos ao corpo físico e o ser humano achou mais vantajoso aplicar seus esforços na construção de ferramentas mais sutis de luta e dominação (política, diplomacia e até mesmo religião quando mal utilizada). Podemos ver claramente a luta entre força e astúcia em filmes como Gladiador, Coração Valente e outros.


Mas, também a astúcia se cansa, evolutivamente falando, e se desgasta de estar sempre submetida à astúcia do outro. Nela não há vitória definitiva pois baseia-se na esperteza, na argúcia, na enganção. Para o astuto não há descanso pois vê-se obrigado a cuidar de seus espólios, suas riquezas e suas conquistas defendendo-as sempre dos demais. Ele se cerca de poder, de riquezas, de luxos, de prazeres apenas para ver-se privado de tranquilidade, sossego e paz.

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E quando se cansa, a astúcia transforma-se em ESPIRITUALIDADE genuína. O homem espiritualizado parece reunir em si a força para o trabalho e a luta constante no mundo e a astúcia é bem empregada para preservar-se da maldade dos homens, porém nele brilha uma nova energia psicológica. Não mais lhe interessam as vitórias do mundo se não vierem acompanhadas de uma vitória interior. Ele reconhece a impermanência do mundo e acredita serem pequenas suas riquezas e valores. Muito mais lhe interessa alcançar vitórias como as de uma maior compreensão de si mesmo, da natureza e dos mistérios do ser, do destino e da dor.

Na etapa da força, o homem conhece a luta rude e sangrenta, quase ainda como animal. A fase seguinte é ainda de luta, mas agora psicológica, sutil e estratégica. Para finalmente adentrar no universo em que se superará a luta e o desgaste. Eis a fase que entrará em breve a humanidade e a DekDu lhe será uma ferramenta útil na aplicação destas novas energias psíquicas.

Em outros artigos vamos falar mais sobre cada fase, pois continuam vivas e latentes em nós. É importante lembrar que citar estes dois filósofos não implica que concordemos com absolutamente tudo que dizem. Segue agora alguns links interessantes para estudá-los:

Prout (Teoria de utilização progressiva) – Modelo sócio econômico espiritual preconizado por Sarkar

A Grande Síntese – Livro mais significativo de Pietro Ubaldi